O tema suscitou o interesse não só dos empresários directamente ligados à energia, como de construtores, agentes imobiliários, electricistas, profissionais de outros sectores e público em geral, que não perderam a oportunidade para esclarecer dúvidas sobre alternativas energéticas.
A sessão, em horário pós-laboral, contou com a participação do Eng. Pedro Mateus, da Agência para a Energia (ADENE), a entidade responsável pela gestão do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios, e do Eng. Luís Brandão Rodrigues, da Universidade Lusófona, que falou sobre a microgeração de energia.
Ambos os intervenientes destacaram a «má eficiência energética» em Portugal, alertando que 62 por cento da energia eléctrica utilizada em Portugal é consumida pelos edifícios.
O representante da ADENE apresentou o Sistema Nacional de Certificação Energética e Qualidade do Ar Interior, segundo o qual edifícios ou habitações transaccionáveis deverão ter, a partir do próximo ano, um certificado energético, como já acontece com os electrodomésticos.
O sistema, que abarca diferentes requisitos para diferentes tipos de construções, exige, por exemplo, a imposição de limites de consumo energético e de poluentes em edifícios de serviços.
A implementação de colectores solares térmicos em habitações permite que as famílias passem entre quatro a cinco meses sem recorrer à utilização de gás, fazendo apenas uso da energia solar.
Quanto à microgeração de energia, o Eng. Luís Brandão Rodrigues destacou que esta alternativa pode ser aplicada nos mais variados edifícios ou habitações, sendo que o cálculo do retorno do investimento é sempre variável, tendo em conta a conjuntura económica.
O especialista frisou que existem muitas Câmaras Municipais no Oeste que fazem «investimentos brutais em ar condicionado, o que implica um enorme impacto nas contas», quando podiam recorrer a energias alternativas.
O representante da Universidade Lusófona destacou, ainda, que as autarquias têm um papel fundamental na integração de interesses, no que se refere à microgeração de energia, já que actualmente, por exemplo, os financiadores dizem que não há promotores e os promotores dizem que não existem investidores para a microgeração.
O engenheiro destacou, também, que a diferença entre os custos do projecto, construção e demolição de um edifício convencional e de um sustentável é de 38 por cento e recomendou aos interessados em investir na microgeração que realizassem um estudo prévio, porque, por exemplo, uma zona ventosa não implica necessariamente boa energia.
Foi ainda destacado que a microgeração em Portugal, que começou a dar os primeiros passos em Fevereiro, está ainda numa fase embrionária, já que não permite, por exemplo, que todas os interessados possam, desde já, implementá-la, pelo baixo número de inscrições permitidas, para além do limite de venda à rede pública ser demasiado baixo.
Actualmente, a «microgeração só deve ser aplicada em casos altamente rentáveis», lamentou.
Ao encerrar a sessão, Aristides Sécio, Presidente da Câmara Municipal do Cadaval, destacou que a autarquia tem vindo a apostar no recurso a energias alternativas, tendo aludido ao Parque Eólico existente na Serra de Todo-o-Mundo.
Aristides Sécio informou ainda que o município tem um protocolo com a LeaderOeste e a ADENE para a energia da rede eléctrica pública na vila do Cadaval.
Recorde-se que a AECC decidiu promover esta sessão de esclarecimento para esclarecer os profissionais da construção e do imobiliário e todos os interessados em comprar casa ou melhorar o consumo de energia da sua habitação, sobre as oportunidades e os desafios da nova legislação em vigor.
Para mais informações, queira contactar a AECC (Dra. Andreia Nogueira): Tel - 917137414 ou 262084691; aecadaval@netvisao.pt