Defendido diagnóstico precoce e tratamento adequado

Cadaval debateu “Doença de Alzheimer” (c/vídeo)

31-01-2014
Cadaval debateu “Doença de Alzheimer” (c/vídeo)
Jose Bernardo Nunes, presidente da CMC, na abertura da ação.
A estimulação cognitiva é uma forma de prevenir a demência e de retardar os seus efeitos, nomeadamente da Doença de Alzheimer, promovendo uma melhor qualidade de vida de doentes e cuidadores. Trata-se de uma das principais conclusões da ação de informação promovida pela Câmara Municipal do Cadaval, a 29 de janeiro, e que envolveu cerca de uma centena de participantes.
A iniciativa enquadrou-se no projeto “Envelhecer vivendo”, parceria do município cadavalense com as instituições sociais locais, tendo sido de participação gratuita e aberta a técnicos, cuidadores formais e informais bem como à comunidade em geral.

O auditório da Câmara Municipal lotou ao acolher os cerca de cem participantes da ação, maioritariamente profissionais de instituições sociais de dentro e fora do concelho, mas também reformados, entre outras presenças.

Como adianta Ana Margarida Cavaleiro, da Alzheimer Portugal – Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer, os problemas de memória, «as pequenas falhas», são o primeiro sinal de alerta quanto às demências, nomeadamente da sua forma mais comum – a Doença de Alzheimer.

«Depois, começam a surgir outros sintomas que também são de alerta, nomeadamente dificuldades ao nível da linguagem, em nomear os objetos, e muito rapidamente começam a ter dificuldades de noção de espaço e de tempo. E o que acontece é que as pessoas perdem-se com dificuldade em sítios que normalmente são sítios conhecidos. É por aí que começamos a ver que se passa alguma coisa diferente», revela a responsável.

Desconhecendo-se ainda a cura para a Alzheimer, Ana Cavaleiro, psicóloga e diretora do departamento de formação e projetos da associação, explica que o que se sabe é que «o tratamento farmacológico serve para retardar a evolução da doença e, a par dele, deve-se fazer estimulação cognitiva também com o mesmo objetivo. O que se pretende é retardar a evolução da doença «e que a pessoa mantenha a sua qualidade de vida e a sua vida da forma mais normal possível, durante mais tempo», acrescenta.

A terapeuta aconselha os cuidadores a fazerem por dar «amor» e «carinho» às pessoas com deficiência e que «tentem olhar para elas como alguém que necessita de ajuda e que só pode contar connosco para fazer valer os seus direitos e a sua dignidade.»

«Ser cuidador não é fácil», reconhece, «e se a pessoa só cuida e se esquece de si, depois não consegue recarregar baterias, e é muito importante ter um bocadinho do dia para si». «Muitas vezes», prossegue a psicóloga clínica, «isso não se consegue tão facilmente porque não há vizinhos nem familiares que apoiem, e esse bocadinho tem de ser vivido ao pé da pessoa com demência.» Ouvir uma música, ver um programa na TV ou ler um livro podem ser uma opção, nestes casos.

Verificando-se o envelhecimento da população em Portugal, tal como no resto da Europa, os casos de demência tenderão a aumentar, dado que, refere a porta-voz da AP, «o primeiro fator de risco é a idade.»

A representante da Alzheimer Portugal (AP) avança que a associação presta uma variedade de serviços «que vão desde a formação, a centros de dia, a lar ou a atendimentos presenciais para se falar sobre a doença, sintomatologia e estratégias». A instituição promove ainda ações de informação e serviços tais como ajudas técnicas e apoio na incontinência. «Portanto, quem necessitar da associação, contacte-nos ou recorra ao site [www.alzheimerportugal.org] onde estão todos os nossos serviços e bastantes informações sobre a demência.» A AP pode ainda ser contactada pelos telefones 213 610 460/8 ou pelo e-mail geral@alzheimerportugal.org.

 
Uma plateia lotada assistiu às explicações das técnicas da Alzheimer Portugal
 

A importância do diagnóstico precoce

Da ação, importa reter a importância de identificar precocemente a doença e o tipo de demência, de forma a definir, o quanto antes, o tipo de tratamento. Não sendo fácil acertar com a medicação mais apropriada, ela é contudo importante no processo de travagem da doença. No entanto, outras terapias devem ser associadas à medicação, desde a estimulação cognitiva por psicólogos e neuropsicólogos, passando pelo trabalho de terapeutas ocupacionais, animadores socioculturais ou a própria estimulação quotidiana das auxiliares de ação direta.

Importa, de facto, não privar as pessoas com demência da sua natureza ocupacional, zelando pelos seus direitos e procurando ter em conta as rotinas que elas tinham antes da doença e ao longo da sua vida. Planear os cuidados do ponto de vista do individuo, ter uma capacidade de imaginação «imensa», partilhar informações e estratégias com outros cuidadores foram aspetos também apontados.

Segundo a psicóloga, também a nível preventivo, «quanto mais nos estimularmos cognitivamente, intelectualmente, menor a probabilidade de vir a sofrer demência.»

Foi igualmente explicado, aos cuidadores presentes, o modo de reconhecerem a sintomatologia da demência, e deixados conselhos práticos com vista a trabalharem a capacidade de autonomia da pessoa com demência.

Apesar de ser uma doença sem cura, a Alzheimer não é ainda reconhecida oficialmente como crónica, segundo informou Ana Sofia Gomes, assistente social e responsável pelo Gabinete de Apoio Psicossocial da AP. No entanto, a patologia foi, em 2009, reconhecida como doença que traz invalidez. Desta forma, uma vez diagnosticada antes da idade da reforma, já é possível ser reformado por invalidez. Para um doente que já tenha reforma, «pode ser requerido o complemento por dependência», desde que não tenha rendimento igual ou superior a 600 euros.

Ana Gomes salientou que o não encaminhamento atempado para a especialidade médica, bem como uma situação económica desfavorável ao diagnóstico e tratamento constituem formas de exclusão social que interessa combater.

A assistente social destacou a existência de protocolos com empresas interessadas em fazer descontos aos associados da AP, tais como farmácias, empresas de apoio domiciliário ou de produtos hospitalares, entre outros.
 
Fonte: SCRP | CMC



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