Após um ano de funcionamento

Centro de Recuperação de Montejunto liberta primeira ave

23-09-2008
Centro de Recuperação de Montejunto liberta primeira ave
O momento da libertação do milhafre
Ao cabo de um ano de funcionamento, o CRASM – Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto, sediado na Tojeira, efectuou, no passado sábado, 20 de Setembro, na Serra de Montejunto, a sua primeira libertação de uma ave recuperada, um momento de significado especial para a equipa, ou não fosse esse o objectivo final do seu trabalho.

A ave libertada tratou-se de um milhafre preto, uma das três aves de rapina que inauguram a actividade de recuperação do CRASM, daí que este acto se tenha revestido de singular importância para a equipa que, durante o último ano, dedicou tempo e esforço ao seu tratamento e recuperação.

Pouco passava do meio-dia quando a imponente ave bateu asas e voou, diante do olhar atento e os aplausos de crianças do Concelho e de outros curiosos, que quiseram presenciar o especial momento.

Como explicou José Manuel Bernardo, coordenador do CRASM, o seu destino é incerto, podendo permanecer em Portugal ou voltar a África, de onde é oriunda. Encontrando-se, durante o Verão, em Portugal (e em geral no sul da Europa), por força do Inverno esta espécie de aves migra para sul de África, embora, com a alteração do clima, possa também ficar no norte daquele continente, sul de Espanha, ou mesmo no sul de Portugal.

O milhafre em questão havia sido transferido da Serra da Estrela, de outro centro de recuperação, tendo chegado ao CRASM com uma fractura de asa (já a ossificar) e problemas de nutrição motivados pela mesma. Todos os restantes são oriundos dos concelhos limítrofes do centro.

Não havendo ameaça de extinção, há no entanto que obstar a que as espécies mais comuns possam vir a cair no estatuto de “vulneráveis”, tal como explicou José Manuel.


Apadrinhar um animal: um contributo importante para o CRASM

O centro carece, porém, de apoio, quer por parte de pessoas, quer de instituições que se queiram associar a esta causa.

Uma das fontes de receita do CRASM reside nos denominados apadrinhamentos dos animais em recuperação. Para se apadrinhar um animal, basta contactar o centro, que tem, neste momento, apenas quatro aves disponíveis para o efeito, três mochos galegos e um milhafre preto igual ao que foi agora libertado.

O apadrinhamento é exclusivo e, a título de exemplo, o donativo para uma ave de classe inferior importa em 25 euros, que vale para um horizonte temporal de seis meses, o que, como refere o responsável, «é uma grande ajuda na alimentação do animal e na aquisição de um ou outro fármaco.» Depois, o padrinho (ou madrinha) é sempre informado do estado de saúde do animal, podendo visitá-lo, embora o contacto tenha de ser minimizado. Finalmente, é convidado para o evento de libertação da ave.

Até à data, os padrinhos têm sido pessoas que vivem nas proximidades do Centro, embora todo e qualquer interessado o possa vir a ser.

O Sr. António Pinto Moreira, do concelho de Alenquer (por iniciativa da sua filha, Susana Moreira) foi o padrinho do milhafre libertado, a quem coube a honra da libertação. Como o próprio referiu «foi uma sensação muito agradável ver voar de novo aquele animal que antes estava em perigo».

Momentos antes da libertação, também Ana Pascoal, da Correeira (Cadaval), recebia um certificado de apadrinhamento por parte do CRASM, por já ser madrinha de duas corujas, ainda em recuperação.


CRASM: o balanço de um ano de existência

O CRAS de Montejunto trata-se de um projecto conjunto da Quercus – A.N.C.N., da Junta de Freguesia de Vilar e do Grupo de Escuteiros de Vilar, tendo, desde o início, o importante apoio da Câmara Municipal do Cadaval.

O funcionamento do centro é assegurado por uma equipa de apenas oito voluntários - provindos do concelho cadavalense e periféricos - contando, à data, com a colaboração semanal, a regime de contrato, de dois médicos veterinários especializados em fauna selvagem, e com a ajuda pontual de algumas pessoas.

Sendo o movimento de animais ainda pequeno, o CRASM espera, a breve trecho, que o mesmo possa vir a aumentar, graças ao apoio do SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza da GNR e da divulgação no site da Quercus e na Comunicação Social.

Sendo um dos únicos centros da faixa litoral portuguesa, tem a seu cargo uma área densamente populada, na qual a fauna autóctone está sujeita a agressões diárias.

Apenas com um ano de existência, e apesar das instalações (situadas na localidade de Tojeira, Concelho de Cadaval) ainda não responderem em pleno às necessidades, o centro conta já com cerca de 17 animais tratados.

Sendo os animais assistidos maioritariamente aves, o CRASM contou, até ao momento, com a presença de um único mamífero – uma raposa, entretanto já libertada, que havia sido atropelada em Santarém.

Já os ferimentos das aves estão vulgarmente relacionados com colisões por impacto, quedas de ninhos ou mesmo electrocussões, entre outros, como explicou o coordenador da estrutura. «A título de curiosidade», acrescentou, «hoje entrou um peneireiro de dorso malhado, que decidiu viajar da Madeira até Lisboa num navio e, ao fim de quase 48 horas sem alimentação, estava debilitado e desidratado.»

E, para quem encontrar um animal selvagem ferido, saiba que não deve manter o animal muito tempo ao seu cuidado; não lhe deve dar de comer ou de beber, deve mantê-lo isolado (de modo a evitar-lhe situações de stress), e contactar, de imediato, um centro de recuperação ou o SEPNA da GNR.

O CRASM pode ser contactado directamente pelo número 966 775 515, ou através da Junta de Freguesia de Vilar, ligando o 262 771 060.

 
Mais informações sobre o CRASM neste site.
Fonte: GIRP/CMC



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