Aproveitando a ocasião da realização de uma Montaria no Cadaval, com concentração em Casais de Montejunto, por sua vez, promovida pela Associação de Caçadores do Concelho do Cadaval, e a presença prevista de elevado número de caçadores, principais interessados neste plano, decidiu a organização promover esta acção.
Para assistir à referida apresentação foram convidadas associações locais com interesse no desenvolvimento agro-florestal concelhio, tais como: APAS, APAS FLORESTA, LEADEROESTE, AECC – Associação Empresarial do Concelho do Cadaval e, ainda, a Direcção Geral dos Recursos Florestais – Núcleo Florestal do Oeste e o ICN – Instituto de Conservação da Natureza.
O Plano de Ordenamento Cinegético (POC) do Concelho do Cadaval foi promovido pela Federação de Produtores Florestais de Portugal em parceria com a CMC e com uma participação activa da associação de caçadores do Concelho. Tem o apoio do Fundo Florestal Permanente, enquadrando-se num projecto de investigação aplicada, de âmbito mais vasto, intitulado “O Abandono do Espaço Agro-Florestal e os Processos de Defesa Contra Incêndios à Escala Municipal”. Os autores do Plano são Marisa Meson Garcia e Miguel Montoya Olivier, este último professor catedrático, doutorado pela Universidade de Madrid, investigador na área da Cinegética e responsável por diferentes metodologias nesta matéria, a nível europeu.
O POC do Concelho do Cadaval trata-se de um instrumento de planificação, à escala municipal, com dois grandes objectivos práticos: definir caminhos que levem a um melhor aproveitamento do potencial cinegético do Concelho do Cadaval; integrar e apoiar a actividade cinegética no processo de defesa contra incêndios do Concelho, tirando partido do bom conhecimento que os caçadores detêm do terreno (muito útil para vigilância e apoio ao combate), e ainda de intervenções promovidas nas zonas de caça, que, se forem integradas no Plano Municipal de Defesa Contra Incêndios, podem contribuir significativamente para a redução do perigo de incêndio do território.
Com base na informação cartográfica e num inquérito realizado às zonas de caça do Concelho, foi produzido um conjunto de peças escritas e cartográficas que constituem o Plano de Ordenamento Cinegético. As peças escritas do Plano incluem duas partes complementares: memória descritiva geral – descreve a metodologia utilizada, e a forma como foi aplicada; projectos cinegéticos – corresponde a um conjunto de planos (de ordenamento, de caça, de fomento, de gestão, etc.) específicos para cada zona de caça.
A caça menor (coelho, perdiz e migratórias) em todo o concelho e o javali, sobretudo na Serra de Montejunto, correspondem, actualmente, às espécies cinegéticas existentes, e foi sobre estas que incidiu o plano de ordenamento agora apresentado.
Adicionalmente, foi estudada a possibilidade de reintrodução do corço ibérico na Serra de Montejunto, já que existe um excelente potencial natural. Mas a reintrodução, propriamente dita, deverá obrigar a um projecto específico, para garantir quer a qualidade dos exemplares introduzidos (em termos genéticos, sanidade, robustez e adaptação ao habitat), quer a escolha dos locais e plano de gestão específico a seguir.