Rubrica "Cadaval Sem Fronteiras"

Cristina de Jesus, no Canadá: «É indescritível a falta que o mar nos faz»

04-04-2018
Cristina de Jesus, no Canadá: «É indescritível a falta que o mar nos faz»
Cristina de Jesus, num cenário de 25 graus negativos (arquivo)
Cristina Jesus deixou o Cadaval e partiu, há cerca de quatro anos, para o Canadá, mais precisamente para a cidade de Toronto, em busca de uma vida mais condigna. A concidadã cadavalense fala-nos, no âmbito da rubrica "Cadaval Sem Fronteiras", do seu modo de vida atual e descreve o território onde vive e trabalha, não escondendo a vontade de um dia regressar.

Ana Cristina Gonçalves de Jesus nasceu a 28 de dezembro de 1968, na Chamusca (Santarém), mas cresceu no Cadaval. Fez os seus estudos entre o Cadaval e o Bombarral, possuindo o 12.º ano.

 

Cristina de Jesus, mãe de um filho e a viver em união de facto, deixou o Concelho em 2014, com destino ao Canadá (Toronto, Ontário). Ali trabalha em limpezas, por conta própria, colaborando também com a Revista Amar e o Correio da Manhã Canadá.

 

Antes de emigrar, foi secretária de direção, escriturária, gestora de clientes e também subgerente. «Saí de Portugal porque ganhava o ordenado mínimo, o que deixou de me permitir fazer uma vida digna, e também porque deixei de acreditar no Governo do meu país».

 

A cultura, o clima e os transportes públicos foram algumas das dificuldades encontradas à chegada a um país novo. A par disso, «não ter assistência médica, não ter acesso a medicação e o facto de os empregadores portugueses, em geral, serem os que mais abusam dos seus compatriotas, pagando ordenados abaixo do mínimo, e sem pagarem impostos», refere.

 

Corridos quatro anos, a emigrante ressente-se ainda com a alimentação, os transportes e o clima canadianos. «E culturalmente é tudo diferente», observa. «E o mar; é indescritível a falta que o mar nos faz… Não falando, obviamente, da família e dos amigos», acrescenta.

 

Cristina faz uma média de 50 km, de casa para o trabalho, tal é a dimensão da cidade. «Toronto é uma cidade multicultural e multilingue (falam-se cerca de 160 línguas diferentes, e os habitantes são originários de mais de 200 países), onde muitas comunidades vivem fechadas em si mesmas e conectadas apenas pela Internet», explica. «Toronto é a cidade mais importante do Canadá, como centro financeiro, industrial e de emigração, e fica a 150 quilómetros da fronteira com os Estados Unidos. A cidade de Toronto e arredores tem seis milhões de habitantes, e a praia (de mar) mais próxima fica a mil quilómetros, pois todas as outras são praias de lagos, de água doce».

 

Sente saudades «da família, do comércio tradicional, da comida caseira, do encontro com amigos e conhecidos pelas ruas da vila, e da Festa das Adiafas».

 

Para quem nos visita, Cristina sugere uma ida à «fantástica» serra de Montejunto ou «conhecer algumas das casas agrícolas da região, como a Quinta do Gradil».

 

Recorda, com nostalgia, os antigos jardim e coreto no centro da vila, bem como a Feira dos Pinhões, na altura em que esta atravessava o núcleo do Cadaval. Relembra ainda «o glamoroso Baile das Vindimas, em que as famílias reservavam mesa, todos vestidos a rigor, vinham os melhores grupos atuar e havia a eleição da Miss Vindimas», descreve a própria.

 

Tempos livres é coisa que para si não existe, no Canadá. «Todo o tempo é passado a trabalhar. Quando posso, ao serão, escrevo poesia», afirma.

 

São as novas tecnologias que lhe valem, para ir tendo acesso a informação sobre o Concelho e para ir mantendo contacto com família e amigos, embora sempre com o transtorno da diferença horária.

 

Desde que emigrou, não teve ainda possibilidade de voltar a Portugal, mas sonha um dia poder regressar.
Fonte: SCRP | CMC



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