Mostra "Fragmentos e Contrastes" é mote de exposição mais abrangente

Conterrâneo Jorge Romão expõe «memórias e afetos», no Painho (c/vídeo)

28-09-2020
Conterrâneo Jorge Romão expõe «memórias e afetos», no Painho (c/vídeo)
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Continua patente, até 5 de outubro, no Espaço Sr. Serafim, antiga loja no Painho, a exposição “Fragmentos e Contrastes”, da autoria de Jorge Romão, painhense a residir em Lisboa. Já apelidado de “Almada Negreiros do séc. XXI”, o pintor diz ser esta mostra «um conjunto de memórias e afetos», com muito detalhe para apreciar e sentir. A exposição poderá ser prolongada, em função da afluência. Visite!

Estreada em Lisboa, em agosto, “Fragmentos e Contrastes” reúne, na aldeia do Painho, concelho do Cadaval, um conjunto de cerca de 50 quadros que generosamente ombreiam com coleções particulares de fotografias antigas e históricas, antigas máquinas fotográficas, livros e outros instrumentos e objetos decorativos de época. De época, também, é a música de fundo que parece sair das vetustas telefonias expostas e que inspira o visitante a deter-se para apreciar o espólio patente.

 

«Isto era uma antiga mercearia do Sr. Serafim, figura carismática da terra. Infelizmente, já desapareceu e deixou muitas saudades. O Jaime [Rodrigues] decidiu aproveitar este espaço para criar o Espaço Sr. Serafim, onde ele expõe e comercializa peças que está a fazer a partir de material reciclado, tais como pulseiras, brincos e pregadeiras», explica Jorge Romão. «Entretanto, eu tinha uma exposição na Graça, que terminou a 30 de agosto, e ele foi à exposição, gostou muito e perguntou-me quando a levaria ao Painho. Eu ponderava trazê-la talvez para o ano, mas ali, no momento, decidimos fazê-la entretanto. Marcámos então para 20 de setembro, e aqui está», refere.

 

Jorge decide, então, complementar a exposição de pintura com uma «homenagem merecida ao Sr. Serafim», recriando o ambiente da mercearia com objetos expostos que faziam parte da loja, conjugados com outros trazidos da sua coleção particular ou emprestados por antiquários de Lisboa.

 

«Criámos este ambiente intimista, um ambiente de excessos; tem excessos de imagens, sons, aromas e informação», afirma o próprio. «As paredes foram todas forradas com jornais; levaram, primeiro, uma camada de jornais atuais, para consolidar a parede; a seguir, pusemos jornais de 1931 até hoje, além de fotografias do Sr. Serafim».

 

«É um conjunto de memórias e afetos, que é a minha forma de homenagear o Sr. Serafim», realça.

 

«Aqui estão pedaços de duas exposições temáticas que eu fiz, uma era a “Fragmentos”, quadros inspirados nos azulejos de Lisboa», declara. Porém, o autor salienta que os motivos dos azulejos não são lisboetas. «Eu, quando começo a pintar, volto à infância, ao tempo em que jogava à bola no Painho e andava aqui nos campos. Então, o motivo dos azulejos é a ruralidade – charcos, veredas, árvores», diz.

 

A coleção “Fragmentos” esteve exposta, pela primeira vez, de dezembro de 2019 a janeiro de 2020, no Campus de Justiça. Em julho deste ano, Jorge seria convidado para expor na Galeria Arte Graça (Lisboa), mostra que terminou em agosto. «Como não queria repetir a exposição “Fragmentos”, levei parte desta e fiz uma nova, a que chamei “Contrastes”. Portanto, o que está aqui [no Painho] são duas coleções numa. Não estão aqui os quadros todos, até porque o espaço também não o permitia e porque eu, entretanto, em Lisboa, vendi muitos quadros», observa.

 

Contando com os quadros já vendidos, as duas coleções somam perto de 70 peças. No Espaço Sr. Serafim, estão expostos cerca de 50, incluindo três que ali não cabiam e que estão expostos num café próximo.

 

«O espaço está muito bem conseguido, é atrativo e apela muito à memória das pessoas», constata Jorge, justificando assim o facto de os visitantes ficarem surpreendidos com a mostra.

 

«O curioso é que as pessoas estão a identificar as fotografias expostas, o que, para mim, é gratificante porque é mais uma dimensão desta exposição», destaca.

 

«Não veio muita gente à inauguração, devido ao estado pandémico em que estamos, mas têm vindo muitas pessoas das Caldas e deverão vir muitas pessoas de Lisboa», aponta.

 

Em Lisboa, estas mesmas pinturas de Jorge Romão tiveram uma «ótima aceitação», segundo nos conta. «Basta ver os comentários, alguns até já transcritos nos folhetos. Já a primeira exposição que fiz, em 2018, tinha tido uma aceitação muito boa por parte do público», nota o pintor painhense. «Houve comentários que me deixaram incomodado e desassossegado; houve um crítico de arte que me disse que eu era, provavelmente, o Almada Negreiros do séc. XXI… Aquilo deixou-me incomodado porque o Almada Negreiros é, para mim, o expoente máximo da cultura portuguesa! Longe de mim estar a comparar-me com ele», acrescenta.

 

«Eu começo a pintar e nunca sei para onde é que vou», avança. «Limito-me a lançar a tinta para as telas, e utilizo espátulas; raramente uso pincéis. Limito-me a espalhar e a misturar as cores, e vão aparecendo formas. Eu não sei como é que aquelas formas vêm, por isso é que digo que isto é uma obra “a dois” – há uma mão “de outrem” por trás de mim; eu só entro na fase final», declara, deixando no ar a vertente intuitiva e algo mística da sua obra. Paradoxalmente, assume-se como um homem pragmático.

 

«Na primeira exposição, houve alguém que me disse que eu me inspirava num pintor muito famoso, o pintor mais caro deste momento, que é Gerhard Richter, uma pessoa que eu nem sequer conhecia», exclama Jorge Romão.

 

O pintor do Painho afirma não querer ser catalogado com qualquer corrente artística. «Eu tanto posso pintar um quadro a imitar azulejo como posso pintar o mais abstrato possível, ainda que, tendencialmente, o meu traço vá para árvores e paisagens do Painho.

 

O Painho está sempre presente na minha pintura, mesmo que de forma subentendida», revela.

 

A exposição “Fragmentos e Contrastes” estreou, no Painho, a 20 de setembro, onde permanecerá, pelo menos, até ao feriado de dia 5 de outubro. Está aberta, diária e gratuitamente, de segunda a domingo, das 15h00 às 20h00.

 

Segundo Jorge Romão, há possibilidade de a mostra se prolongar para lá da data prevista, em função da afluência e procura que possa ainda vir a ter por parte do público.

 

«Oficialmente, está até dia 5, sem prejuízo de haver outros horários por marcação; é uma questão de nos contactarem, a mim ou ao Jaime. Apareçam, serão bem-vindos», exorta o pintor.

 

Breve nota biográfica

 

Jorge Manuel Lopes Romão nasceu no Painho, a 3 de janeiro de 1959, e reside no bairro histórico da Graça, em Lisboa. Formado em Filosofia, trabalha no Ministério da Justiça há cerca de 30 anos, sendo que, atualmente, desenvolve atividade coordenadora numa equipa de vigilância eletrónica.

 

É autor do conjunto de peças escultóricas “A Caixa – 10 anos de vigilância eletrónica em Portugal”, que expôs em 2012/2013 no Espaço Justiça, em Lisboa (vídeo no Youtube, com o mesmo título) e que em 2018 trouxe, também, ao Painho.

 

Em 2016, publicou, pela Chiado Editora, o livro “Quando os ciprestes davam laranjas”, um compêndio de memórias, apresentado na Biblioteca Municipal do Cadaval, que põe a nu um pouco da história do Painho e da sua própria infância e adolescência.

 

Em julho de 2018, estreia-se na pintura, com a exposição “Ímpetos”, na Galeria Arte Graça, em Lisboa (vídeo no Youtube: “Ímpetos – Desocupar a dádiva de outrem”), a qual também passou pelo Concelho do Cadaval.

 

Está representado em coleções privadas no Reino Unido, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca e Dubai.


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Fonte: SCRP | CMC



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