Mediante a organização da “VII Semana da Floresta”, a Câmara Municipal do Cadaval irá, uma vez mais, envolver a comunidade estudantil concelhia, do Pré-escolar ao 3.º Ciclo, em torno do objectivo da sensibilização ambiental, nomeadamente em termos de preservação florestal.
Este ano, o local escolhido para a realização desta iniciativa foi a Serra de Todo-o-Mundo (situada a norte do Concelho), após as anteriores edições terem decorrido em diversos pontos da Serra de Montejunto.
Uma vez mais, a Semana da Floresta pretende alertar a população estudantil para a importância da Preservação Florestal, chamando a atenção para as posturas correctas a adoptar em termos de gestão florestal e demonstrando o papel que cada cidadão deverá ter quanto a esta temática.
Para passar a mensagem pedagógica, a organização pretende tirar partido não apenas da beleza da Serra de Todo-o-Mundo, como também de relatos lendários e históricos relacionados com aquela serra.
Assim, o tema escolhido para este ano foi a “Lenda do Sino de Ouro”, existindo ainda hoje testemunhos de que o citado sino se encontrará enterrado na encosta Este da referida serra…*
A Semana da Floresta irá ainda abordar a temática das “Invasões Francesas”, que, também naquela encosta da serra, terão amedrontado e deixado marcas nos aldeões.
Para além disso, estando implantado naquela serra um Parque Eólico (constituído por diversos aerogeradores), a Semana da Floresta alertará ainda os mais novos para a importância das Energias Renováveis.
A organização concebeu actividades específicas para os diferentes níveis de ensino, escalonadas ao longo dos oito dias de actividades.
Para as crianças do Pré-Escolar e 1.º Ciclo, a CMC preparou um percurso ao longo do qual será apresentada a “Lenda do Sino de Ouro”, que será narrada por diferentes personagens relacionados com a lenda, que vão surgindo e encaminhando as crianças.
Assim, ao longo da caminhada surgirão figuras tais como dois pastores, uma rainha, uma santa, um peregrino, soldados franceses, um capelão, uma feiticeira, uma donzela e um lobo, num cenário natural que será enriquecido pelos “sons dos espíritos da floresta”. Esta encenação irá, seguramente, despertar os sentidos dos mais pequenos e estimular a sua capacidade inventiva.
Para os alunos do 2.º e 3.º Ciclo, a autarquia preparou uma prova de orientação temática. Ao longo do percurso, os jovens estudantes terão de ultrapassar provas de perícia e obstáculos que aparecerão, sendo que também eles serão encaminhados por personagens ligadas à lenda da serra e às histórias das Invasões Francesas, encontrando, posteriormente, um painel interpretativo dedicado às Energias Renováveis.
De salientar que, no final dos percursos, cada aluno receberá um cartão de “Vigilante da Floresta” e um certificado do “Pacto com a Floresta” (mediante o qual cada criança se compromete a respeitar e proteger a floresta) e, ainda, um manuscrito com a “Lenda do Sino de Ouro”.
Refira-se, por último, que todas as actividades serão monitorizadas e dinamizadas por elementos de diferentes sectores da Câmara Municipal do Cadaval e também provenientes da APAS FLORESTA (Associação de Produtores Florestais).
*Breve resumo da Lenda do Sino de Ouro
Reza a lenda que uma rainha, enquanto pernoitava na Serra de Alguber e Figueiros, teria sido curada por um milagre de Nossa Senhora de Todo-o-Mundo. A rainha, em sinal de agradecimento, teria mandado erguer uma capela no local do milagre, em homenagem à referida Santa, dando assim o seu nome à serra. Por sua vez, o rei teria oferecido um sino de ouro à capela, que tocaria todas as noites, em memória da aparição da Santa que curara sua esposa. Consta que, durante muitos anos, a capela teria sido visitada por gente vinda de todo o lado, à procura de curas e milagres por parte da Santa que tinha curado uma Rainha… Terá mesmo sido feita uma imagem da Santa que a Rainha vira naquela noite milagrosa, e colocada no centro do altar da capela, de forma a que pudesse ser vista por todos os que a procuravam. Mais tarde, as Invasões Francesas - que também ocorreram no Concelho do Cadaval - terão tido como consequência a destruição daquela capela. O medo de que o sino fosse roubado pelos franceses fez com que um grupo de aldeões de Alguber e de Figueiros subisse a encosta da Serra, durante a noite e fugindo às balas dos guerrilheiros, para o trazerem e o esconderem. Mas os perigos que ali havia fizeram com que o deixassem na Serra, enterrado, diz-se que por debaixo das ruínas da capela.