O Prémio Literário Fernanda Botelho (periodicidade bienal) remonta a 2016 e destina-se a homenagear a escritora Fernanda Botelho (1926-2007), que viveu parte da sua vida na aldeia da Vermelha (Cadaval) e cuja obra literária é reconhecida a nível nacional.
Foi, inclusive, na localidade da Vermelha que a autora escreveu, integralmente, a obra “As Contadoras de Histórias” e iniciou a escrita do seu último livro, “Gritos da Minha Dança”.
O prémio em apreço decorre de uma parceria entre a Biblioteca Municipal do Cadaval e a Associação Gritos da Minha Dança, entidade que tomou o nome do derradeiro trabalho de Fernanda Botelho. Trata-se da associação detentora do acervo da escritora e que criou uma casa-museu em sua homenagem, na supracitada aldeia cadavalense.
Esta segunda edição do concurso literário cadavalense foi lançada a 28 de abril, nas instalações da Biblioteca Municipal, por ocasião da iniciativa “Primavera de Livros”.
A sessão contou ainda com a apresentação oficial do livro respeitante ao 1.º Prémio, que remonta a 2016, a qual contou com a presença de Antero Rosa, vencedor do mesmo, e de Sofia Pinto da Silva, menção honrosa atribuída na mencionada primeira edição, que envolveu cerca de 380 participantes de dentro e fora do país. A obra então lançada contempla os contos de ambos os galardoados, coincidentemente portuenses.
O lançamento do 2.º Prémio contou ainda com a presença da comissão organizadora, representada por José Bernardo Nunes, presidente da Câmara Municipal do Cadaval, e de Joana Botelho, presidente da Associação Gritos da Minha Dança.
«Apoiar a escrita de autores lusófonos anónimos» é o desígnio deste concurso, segundo apontou na ocasião José Bernardo, «contribuindo para o crescimento literário do nosso país».
Na ocasião, o chefe do executivo deixava um público agradecimento ao primeiro rol de elementos que constituiu o júri do primeiro prémio literário, e foram eles: Daniel Sampaio, reconhecido psiquiatra e amigo da família da escritora homenageada, Inês Fonseca Santos, jornalista, João Paulo Cotrim, diretor da Editora Abysmo, Fernanda Branco, professora aposentada e estudiosa da obra de Fernanda Botelho, e Isabel Pereira, docente também reformada e escritora cadavalense.
Já em fase de lançamento do 2.º Prémio Literário, Joana Botelho, presidente da Associação Gritos da Minha Dança e neta da escritora evocada pelo concurso, manifestava «um sentido agradecimento» ao Município do Cadaval e à Biblioteca Municipal, extensivos «à professora Paula Morão, do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e às personalidades de excelência que constituem o júri desta edição», segundo palavras da própria.
O júri fica então, desta feita, composto por Marta Pacheco Pinto, diretora-adjunta da Revista Textos e Pretextos, e membro do conselho editorial do Journal of World Literature; Olga Correia, professora da disciplina de Português no Agrupamento de Escolas do Cadaval, e Sofia Bandeira Duarte, relações públicas e gestora cultural no The Literary Man – Óbidos Hotel.
Mantendo a modalidade prosa (conto) e sendo dirigido a adultos, maiores de 18 anos, a novidade desta edição do prémio prende-se com o facto de jovens dos 15 aos 17 anos poderem passar a concorrer, segundo revelou Joana Botelho, numa categoria própria e também na modalidade “conto”. Neste contexto, a responsável deixou «um forte agradecimento à Panificadora Regional “Pão da Vermelha”, pelo seu contributo à atribuição do prémio nesta categoria».
«É desta forma que a Associação Gritos da Minha Dança continua a contribuir para criar e desenvolver o gosto e hábitos de leitura, facilitando a alfabetização literária e funcional da população, e favorecendo a investigação na área da literatura portuguesa contemporânea», diz Joana Botelho.
As normas de participação estão disponíveis no site da Câmara Municipal do Cadaval (separador Cultura/Biblioteca Municipal).
Nota biográfica de Fernanda Botelho
Fernanda Botelho (1 de dezembro de 1926 – 11 de dezembro de 2007), natural do Porto, é ainda descendente de Camilo Castelo Branco e sobrinha-neta de Abel Botelho. Estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa e estreou-se, em 1951, com o livro de poesia “Coordenadas Líricas”. Foi, juntamente com David Mourão-Ferreira, António Manuel Couto Viana e Luís Macedo, cofundadora da revista literária Távola Redonda, vencendo galardões como o prémio Camilo Castelo Branco, em 1961, com a obra “A gata e a fábula”, ou o Grande prémio da Associação Portuguesa de Escritores – Romance e Novela, com “As Contadoras de Histórias”, em 1998, entre outros que conquistou ao longo da vida.