Sílvia Susana Nobre da Costa tem 36 anos, é natural de Lamas mas sempre residiu na Correeira. É casada e tem dois filhos, de três e quatro anos. Possui licenciatura em Desporto e Condição Física, pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior, mestrado de Investigação em Biologia Humana e doutoramento em Atividade Física e Saúde, pela Universidade de Loughborough (Reino Unido).
Sílvia partiu para o Reino Unido em 2008, no intuito de passar um ano a fazer o mencionado mestrado, mas acabaria por ganhar uma bolsa de estudo e por ficar para fazer doutoramento.
Atualmente é professora em Atividade Física e Saúde Pública na Universidade de Loughborough, onde dá aulas a alunos de licenciaturas e mestrados, nas áreas da Ciências do Desporto e Biologia Humana, fazendo, em paralelo, investigação na área da atividade física e saúde em crianças.
Entre 2013 e 2018, teve vários trabalhos como investigadora na Universidade de Cambridge e no Instituto de Saúde da Criança da University College London, maioritariamente nas áreas da medição da atividade física, prevenção e gestão da obesidade em crianças e adolescentes, influência dos cuidados pré-escolares na obesidade e fatores de risco para a obesidade em crianças.
Antes de ir para o Reino Unido, entre 2007 e 2008, trabalhou como técnica de laboratório na Escola Superior de Desporto de Rio Maior e como instrutora em dois ginásios da região Oeste.
Sílvia Costa aponta várias dificuldades que teve de ultrapassar à chegada a um país novo. «Adaptar-me ao clima frio e nublado do Reino Unido, bem como à comunicação com um sotaque de inglês britânico que eu não estava tao habituada – lembro-me de ser um esforço mental enorme para tomar notas e perceber os conteúdos das aulas nas primeiras semanas; adaptar-me a uma dinâmica mais “afastada” de cumprimentos, mas também a uma comunicação muito menos formal entre alunos e professores na universidade; conhecer pessoalmente apenas dois professores da universidade e estar longe da família e amigos; estar muito longe de serras e praia, e falta de acesso a alguns alimentos tradicionais portugueses», refere. «Embora pera rocha haja sempre no supermercado!», ressalva.
Reside perto da cidade onde trabalha, Loughborough (Leicestershire), a cinco quilómetros do emprego. Segundo Sílvia, trata-se de «uma vila no centro de Inglaterra, numa zona relativamente rural, muito moldada pela universidade, que tem um dos maiores campus universitários do país e um grande foco na área do desporto (é considerada, há 3 anos, como a melhor universidade, a nível mundial, na área do desporto, num dos rankings principais)».
«Contrariamente ao que se possa pensar sobre o estereótipo dos britânicos, sempre achei as pessoas, por aqui, muito acolhedoras e prontas a ajudar. Um dos maiores marcos históricos da vila é o monumento memorial à Primeira Guerra Mundial, no parque central, e é notório o impacto que as guerras mundiais tiveram no povo, bem como o respeito que há aos soldados e vítimas dessas guerras – todos os anos comemoram o “Rememberance Sunday” com uma grande parada e missa em frente ao memorial, onde participam centenas de pessoas de todas as idades», conta.
«O “chá das 5”, com um bom chá e os típicos “scones” com doce de morango é realmente algo que alguns levam bem a sério por aqui, e junto com um bom “fish and chips” (uma espécie de peixe panado, com batatas fritas temperadas com vinagre de malte – parece estranho mas sabe bem!) são das comidas típicas inglesas que fiquei fã», afirma Sílvia.
«Continua a custar-me um pouco o clima frio e nublado durante a primavera (principalmente, quando começo a ver amigos e família a começar a ir à praia). Neste momento, toda a insegurança e algum discurso anti-Europa dentro do país, desde o referendo sobre o “Brexit”, têm-me feito sentir um pouco ansiosa sobre o que o futuro me vai trazer como portuguesa por cá», declara.
«Atualmente, o pouco tempo livre que tenho é passado, maioritariamente, com os meus dois filhos, em parques e florestas da zona, ou a descontrair com series/filmes depois dos pequenos estarem a dormir», relata a própria.
Antes da pandemia, vinha a Portugal pelo menos na Páscoa e durante a maior parte do verão. «Estou a tentar gerar colaborações de investigação em Portugal para conseguir visitar e trabalhar mais algumas vezes por ano», avança. Regressar de vez seria uma possibilidade. «Se eu e o meu marido (que é britânico) tivéssemos hipótese de trabalhar como professores ou investigadores, na nossa área, numa universidade relativamente perto – sem dúvida», observa.
Acordar com a vista da Serra de Montejunto, fazer caminhadas por lá e poder estar com a família e alguns amigos de sempre – é disto que sente mais saudade. Montejunto é, aliás, uma das sugestões de visita que deixaria para quem queira visitar o Cadaval, «principalmente a Fábrica do Gelo e os trilhos pedestres que estão bem demarcados», diz. Provar o bom vinho que se faz nas adegas do Concelho é outra das propostas que deixa. «E se visitarem em outubro, aproveitem a Festa das Adiafas, que é uma excelente mostra da tradição e do que de bom se produz no Concelho», acrescenta.
Quanto a recordações, diz serem «demasiadas para escolher» as memórias dos bons tempos de escola, no Cadaval, onde estudou até ao 3.º ciclo. «Mas lembro-me, especialmente, dos treinos e competições de voleibol no Desporto Escolar, com o Prof. Daniel Carinhas e a Profª. Fátima Paz, que, sem dúvida, “moldaram” o meu interesse pelo desporto/atividade física e saúde, que me levou a seguir Desporto no ensino secundário, e no fundo foi um início da viagem que me trouxe até, hoje em dia, estar eu própria a investigar e ensinar nessa área», frisa.
«Vou estando em contacto com família e amigos com chamadas de vídeo regulares, e também vou consultando o website e página de Facebook da Câmara Municipal, para ter “updates” de eventos planeados, e atualmente sobre os casos positivos COVID no Concelho».