A quase totalidade do espólio exposto é pertença do Município

Exposição póstuma, de conceituado pintor angolano, patente no Cadaval

04-12-2018
Exposição póstuma, de conceituado pintor angolano, patente no Cadaval
Rui Henriques, curador da coleção, na abertura oficial da exposição
Está patente, até próximo dia 8 de dezembro, na Biblioteca Municipal, a exposição póstuma da coleção “Roberto Silva, Cadaval 1981-1986”. A inédita mostra exibe o espólio daquele que representa um dos maiores pintores angolanos e que residiu parte da sua vida no Cadaval.

A inauguração da exposição em apreço teve lugar a 30 de novembro e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal do Cadaval, José Bernardo Nunes, vereador Dinis Duarte e Rui Henriques, funcionário e curador camarário da coleção de Roberto Silva. Participaram ainda, na sessão de abertura, algumas pessoas que conviveram com o artista africano em Portugal e Angola, algumas das quais visadas em retratos expostos na biblioteca cadavalense.

 

José Bernardo Nunes, presidente da Câmara, congratulou-se com a exposição, afirmando a disponibilidade camarária para que a mesma possa extravasar a Biblioteca Municipal e percorrer as freguesias locais ou até mesmo sair para o exterior.

 

«É com muita satisfação que verificamos que a Câmara do Cadaval é detentora deste património, que não pretendemos ter para nós, mas sim para mostrar, eventualmente até junto da embaixada de Angola e de outros organismos», disse. «Por obra do acaso o autor para aqui veio, por obra do acaso aqui deixou as suas obras, e o que podemos efetivamente fazer é evocar a sua memória e poder mostrar o legado que nos deixou», conclui o edil.

 

Uma coleção de importância “incomensurável”

 

Preservar e dar a conhecer o espólio deixado pelo pintor angolano Roberto Silva, a par da sua vida e obra, são os principais objetivos desta exposição, segundo apontou na ocasião Rui Henriques, curador da coleção do autor, hoje propriedade da Câmara Municipal.

 

A mostra foi idealizada, concebida e concretizada durante os últimos 10 meses, refere o representante, «com a colaboração, disponibilidade e empenho de muitas pessoas que, como eu, abraçaram este projeto com muito carinho, e a quem desde já agradeço».

 

«A importância desta exposição para o Cadaval e para os cadavalenses não é mensurável, e estou certo de que a mudança de paradigma que ela vai causar na política cultural do Município nos trará muitos benefícios num futuro próximo», acrescenta.

 

Considerado, por muitos críticos, como um dos maiores pintores angolanos, a obra de Roberto Silva evidencia o seu cariz naturalista, realça. «E a forma como conseguiu passar África para as telas só estava ao alcance de um grande artista, como era o seu caso», revela Rui Henriques.

 

«Embora nos tenha deixado algumas telas onde África é retratada, as obras representadas no Cadaval são, na sua grande maioria, retratos a carvão sobre papel, ou pintados a óleo sobre platex, de pessoas do Cadaval e arredores», explica.

 

Considerando não ter sido dado o devido valor ao artista, o curador entende que esta iniciativa «vai possibilitar que o pintor seja cada vez mais reconhecido e que a sua obra seja apreciada pelo maior número de pessoas possível».

 

A mostra, patente na Biblioteca Municipal até próximo dia 8, reúne 26 obras que o autor criou entre 1981 e 1986, anos da sua estadia na vila do Cadaval, sendo 24 obras pertencentes ao acervo da Câmara Municipal e duas gentilmente cedidas por particulares.

 

Desconhecendo-se, com exatidão, o móbil da vinda de Roberto Silva para o Cadaval, a sua vida e obra está a ser eternizada, não apenas através desta exposição mas também através da respetiva biografia, que se encontra a ser produzida por Rodrigues Vaz.

 

Seria, aliás, Rodrigues Vaz que, a 18 de janeiro do corrente ano, faria despontar este projeto camarário de recuperação e divulgação do espólio do autor angolano, ao contactar o Município em busca de informação acerca do mesmo.

 

Descrito, por quem o conheceu, como uma pessoa «muito culta» e «eloquente», no Cadaval Roberto Silva «acomodava-se num anexo que outrora existia nas traseiras do antigo edifício da Câmara Municipal, hoje sede da Junta de Freguesia de Cadaval e Pero Moniz», conta Rui, «e muitas das suas refeições eram fornecidas pela cozinha do antigo hospital do Cadaval».

 

«Não tinha muitos amigos, mas os relacionamentos pessoais que manteve com diversos cadavalenses foram uma marca indelével na vida dessas pessoas», refere ainda.

 

Sabendo-se que nasceu em 1907, em Benguela (Angola), somente depois de preparada a exposição é que o Município apuraria que o artista terá falecido no Barreiro, apontando-se 1990 como ano da sua morte. Por esse motivo, «os textos que acompanham a coleção, e mesmo os quadros, não referem a sua data de morte», observa Rui Henriques. Esses novos elementos chegariam à Câmara do Cadaval através de Sara Proença (residente no Barreiro e também presente na inauguração desta mostra), em sequência de ter tomado conhecimento da exposição cadavalense.

 

A mostra está patente até dia 8 de dezembro, podendo ser gratuitamente visitada, pelo público interessado, de segunda a sexta, das 8h30 às 17h30, e ao sábado e domingo, das 14h00 às 18h00.

 

Aceder a fotorreportagem da inauguração da mostra
Fonte: SCRP | CMC



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