Rubrica "Cadaval Sem Fronteiras"

Sílvia Costa, no Reino Unido: A saudade de acordar com vista sobre Montejunto

23-12-2020
Sílvia Costa, no Reino Unido: A saudade de acordar com vista sobre Montejunto
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No âmbito da rubrica "Cadaval Sem Fronteiras", fomos ao encontro de Sílvia Costa, concidadã da Correeira que, em 2008, emigrou para o Reino Unido, por questões académicas, mas ali acabaria por se fixar. Conheça um pouco da vida desta nossa conterrânea, que se mantém ligada ao Concelho, sobretudo através das boas memórias que guarda.

Sílvia Susana Nobre da Costa tem 36 anos, é natural de Lamas mas sempre residiu na Correeira. É casada e tem dois filhos, de três e quatro anos. Possui licenciatura em Desporto e Condição Física, pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior, mestrado de Investigação em Biologia Humana e doutoramento em Atividade Física e Saúde, pela Universidade de Loughborough (Reino Unido).

Sílvia partiu para o Reino Unido em 2008, no intuito de passar um ano a fazer o mencionado mestrado, mas acabaria por ganhar uma bolsa de estudo e por ficar para fazer doutoramento.

 

Atualmente é professora em Atividade Física e Saúde Pública na Universidade de Loughborough, onde dá aulas a alunos de licenciaturas e mestrados, nas áreas da Ciências do Desporto e Biologia Humana, fazendo, em paralelo, investigação na área da atividade física e saúde em crianças.

 

Entre 2013 e 2018, teve vários trabalhos como investigadora na Universidade de Cambridge e no Instituto de Saúde da Criança da University College London, maioritariamente nas áreas da medição da atividade física, prevenção e gestão da obesidade em crianças e adolescentes, influência dos cuidados pré-escolares na obesidade e fatores de risco para a obesidade em crianças.

 

Antes de ir para o Reino Unido, entre 2007 e 2008, trabalhou como técnica de laboratório na Escola Superior de Desporto de Rio Maior e como instrutora em dois ginásios da região Oeste.

 

Sílvia Costa aponta várias dificuldades que teve de ultrapassar à chegada a um país novo. «Adaptar-me ao clima frio e nublado do Reino Unido, bem como à comunicação com um sotaque de inglês britânico que eu não estava tao habituada – lembro-me de ser um esforço mental enorme para tomar notas e perceber os conteúdos das aulas nas primeiras semanas; adaptar-me a uma dinâmica mais “afastada” de cumprimentos, mas também a uma comunicação muito menos formal entre alunos e professores na universidade; conhecer pessoalmente apenas dois professores da universidade e estar longe da família e amigos; estar muito longe de serras e praia, e falta de acesso a alguns alimentos tradicionais portugueses», refere. «Embora pera rocha haja sempre no supermercado!», ressalva.

 

Reside perto da cidade onde trabalha, Loughborough (Leicestershire), a cinco quilómetros do emprego. Segundo Sílvia, trata-se de «uma vila no centro de Inglaterra, numa zona relativamente rural, muito moldada pela universidade, que tem um dos maiores campus universitários do país e um grande foco na área do desporto (é considerada, há 3 anos, como a melhor universidade, a nível mundial, na área do desporto, num dos rankings principais)».

 

«Contrariamente ao que se possa pensar sobre o estereótipo dos britânicos, sempre achei as pessoas, por aqui, muito acolhedoras e prontas a ajudar. Um dos maiores marcos históricos da vila é o monumento memorial à Primeira Guerra Mundial, no parque central, e é notório o impacto que as guerras mundiais tiveram no povo, bem como o respeito que há aos soldados e vítimas dessas guerras – todos os anos comemoram o “Rememberance Sunday” com uma grande parada e missa em frente ao memorial, onde participam centenas de pessoas de todas as idades», conta.

 

«O “chá das 5”, com um bom chá e os típicos “scones” com doce de morango é realmente algo que alguns levam bem a sério por aqui, e junto com um bom “fish and chips” (uma espécie de peixe panado, com batatas fritas temperadas com vinagre de malte – parece estranho mas sabe bem!) são das comidas típicas inglesas que fiquei fã», afirma Sílvia.

 

«Continua a custar-me um pouco o clima frio e nublado durante a primavera (principalmente, quando começo a ver amigos e família a começar a ir à praia). Neste momento, toda a insegurança e algum discurso anti-Europa dentro do país, desde o referendo sobre o “Brexit”, têm-me feito sentir um pouco ansiosa sobre o que o futuro me vai trazer como portuguesa por cá», declara.

«Atualmente, o pouco tempo livre que tenho é passado, maioritariamente, com os meus dois filhos, em parques e florestas da zona, ou a descontrair com series/filmes depois dos pequenos estarem a dormir», relata a própria.

 

Antes da pandemia, vinha a Portugal pelo menos na Páscoa e durante a maior parte do verão. «Estou a tentar gerar colaborações de investigação em Portugal para conseguir visitar e trabalhar mais algumas vezes por ano», avança. Regressar de vez seria uma possibilidade. «Se eu e o meu marido (que é britânico) tivéssemos hipótese de trabalhar como professores ou investigadores, na nossa área, numa universidade relativamente perto – sem dúvida», observa.

 

Acordar com a vista da Serra de Montejunto, fazer caminhadas por lá e poder estar com a família e alguns amigos de sempre – é disto que sente mais saudade. Montejunto é, aliás, uma das sugestões de visita que deixaria para quem queira visitar o Cadaval, «principalmente a Fábrica do Gelo e os trilhos pedestres que estão bem demarcados», diz. Provar o bom vinho que se faz nas adegas do Concelho é outra das propostas que deixa. «E se visitarem em outubro, aproveitem a Festa das Adiafas, que é uma excelente mostra da tradição e do que de bom se produz no Concelho», acrescenta.

 

Quanto a recordações, diz serem «demasiadas para escolher» as memórias dos bons tempos de escola, no Cadaval, onde estudou até ao 3.º ciclo. «Mas lembro-me, especialmente, dos treinos e competições de voleibol no Desporto Escolar, com o Prof. Daniel Carinhas e a Profª. Fátima Paz, que, sem dúvida, “moldaram” o meu interesse pelo desporto/atividade física e saúde, que me levou a seguir Desporto no ensino secundário, e no fundo foi um início da viagem que me trouxe até, hoje em dia, estar eu própria a investigar e ensinar nessa área», frisa.

 

«Vou estando em contacto com família e amigos com chamadas de vídeo regulares, e também vou consultando o website e página de Facebook da Câmara Municipal, para ter “updates” de eventos planeados, e atualmente sobre os casos positivos COVID no Concelho».
Fonte: SCRP | CMC



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