A marcar o início das comemorações, o auditório dos Paços do Concelho acolheu, na noite de 24 de abril, o espetáculo “Canções de Abril”, que contou com a interpretação, pelo Grupo Coral do Cadaval, de um repertório selecionado para as comemorações.
Na ocasião, José Bernardo Nunes, presidente da Câmara Municipal do Cadaval, agradeceu o «envolvimento e contributo» dos grupos parlamentares da Assembleia Municipal no apoio à organização das comemorações do 40.º Aniversário do 25 de Abril. Segundo o edil, esta colaboração possibilitou que, não obstante a «necessária contenção orçamental», «este importante momento da nossa vida democrática» pudesse ter sido comemorado «condignamente».
O Dia da Liberdade iniciou-se com o Hastear da Bandeira, na presença de dignos representantes dos órgãos municipais e outras instituições do concelho. Este ato solene, que teve lugar junto aos Paços do Concelho, foi acompanhado musicalmente pela banda da Associação Filarmónica e Cultural do Cadaval.
Seguidamente, teve lugar, no auditório da Câmara Municipal do Cadaval, a exibição de um documentário sobre o 25 de Abril, intitulado “Hora da Liberdade”, antecedido da intervenção de Pedro Lauret, capitão-de-mar-e-guerra reformado, que fez um breve enquadramento ao filme exibido.
Munícipe cadavalense há cerca de 18 anos, militar de Abril e membro da direção da Associação 25 de Abril, Pedro Lauret relatou o 25 de abril enquanto «uma operação militar extraordinariamente bem planeada, programada e executada. Foi, talvez, a mais bem-sucedida operação da história das forças armadas portuguesas», notou o responsável.
O primeiro objetivo da operação foi, de acordo com o ex-militar, «fazer convergir sobre Lisboa e Porto o maior número de unidades militares possível para desmotivar completamente qualquer reação que viesse da parte do regime.»
O controlo da Comunicação Social, no intuito de a colocar ao serviço do movimento e evitar que ela fosse utilizada pelas forças do regime ditatorial vigente, foi o segundo de dois objetivos «conseguidos quase integralmente», explicou o orador. «O cumprimento e a execução da operação foram feitos rigorosamente, no sentido de apanhar o regime o mais desprevenido possível.»
No final, Pedro Lauret leu a mensagem oficial dos 40 anos da Revolução, emanada da Associação 25 de Abril e lida, em simultâneo, nos vários eventos comemorativos, ao longo do país.
Presidentes da Câmara e Assembleia junto a elemento da Liga dos Combatentes
As festividades prosseguiram com uma Homenagem aos Combatentes do Concelho, junto ao Posto da GNR do Cadaval, local onde, em 2013, a edilidade inaugurou o Monumento aos Combatentes do Concelho. O tributo contou com a deposição de uma coroa de flores em memória dos militares conterrâneos já desaparecidos, seguido por depoimento de Presidente do Núcleo de Caldas da Rainha da Liga dos Combatentes, tenente-coronel reformado Carlos Lopes.
A propósito do 25 de Abril, Carlos Lopes sustentou: «É este o direito de cidadania que nos permite, independentemente dos conceitos ideológicos e das análises históricas, estarmos aqui numa equidistância nacional, a respeitar a memória de cidadãos que deram o melhor de si pela pátria».
Da parte da tarde, realizou-se, na Biblioteca Municipal, a iniciativa “Poesia e Melodias de Abril”, a qual contou com declamação a cargo dos conterrâneos Ricardo Miguel, Isabel Pereira e Ana Libório, e com um recital de guitarra clássica, a cargo de Nuno Pereira, também ele munícipe cadavalense.